Reflexão Diária – 05/01/2012 – Mc 1, 29-39: A cura da sogra de Pedro
Domingo – 05 de fevereiro
Mc 1, 29-39: A cura da sogra de Pedro
Estando a sogra do Apóstolo s. Pedro doente, Jesus entra em sua casa e dela se aproxima. O médico misericordioso toma a iniciativa. Vai ao encontro da doente e a levanta, tomando-a pela mão. Ao toque de Jesus a febre se afasta. S. Jerônimo exclama: “Que o Senhor toque também nossa mão, para que sejam purificadas nossas obras, que Ele entre em nossa casa, para que nos levantemos para servir”. De fato, o Evangelho narra que, ao entardecer, a sogra de Pedro, já curada, os servia.
Os Santos Padres, a partir deste milagre, exortam a comunidade cristã a estender a mão ao que está caído, levantá-lo, comunicando-lhe novo ânimo. Pois seu destino entre os homens depende do “fiat” dos seguidores do Senhor. Estender a mão é ir ao que está aflito e angustiado ou acorrentado às realidades materiais e comunicar a Boa-Nova do Evangelho, a fim de que ele possa, pelo sacramento da confissão, especialmente pela Eucaristia, receber “o fogo do amor divino na sua alma e no seu corpo”. Todo aquele que se deixa tocar pelo amor de Jesus, manifestado em seus seguidores, embora caído, se erguerá e estará pronto a servir o pão da misericórdia e da bondade aos seus semelhantes. O amor e a liberdade, infinitos em Jesus, constituem a força necessária para a construção de um mundo fraterno, responsável e solidário.
Após a cura da sogra do Apóstolo, os vizinhos e habitantes da cidade “trouxeram a Jesus todos os que estavam enfermos e endemoninhados”. O que leva S. Maximo a exclamar: “Quanto mais eficaz aquele que cura, tanto mais importuno se torna o sofredor”. Porém, mesmo que os milagres não fossem sua meta principal, a misericórdia de Jesus é inesgotável: “Impondo as mãos sobre cada um, curava-os”. Entretanto, o objetivo de sua missão é a pregação da Palavra de Deus e o estabelecimento do Reino de Deus, tantas vezes, publicamente, manifestado por ele.
Ao raiar do dia, como era seu costume, ele saiu e foi para um lugar solitário, pondo-se em oração. Jesus passa horas e noites inteiras em oração, em perfeita comunhão com o Pai celestial. Atitude, que se torna um forte apelo à conversão, pois a oração é a fonte mais íntima da vida humana. Só se tem uma relação pessoal com o Deus vivo, caso haja uma prática constante de oração, alimentada pela certeza, que nos encoraja e nos revigora interiormente, de que o Senhor existe e nos ama. Não estamos sós, perdidos ou largados, diante do nada ou da incerteza. Na oração reconhecemos que existe um outro, o nosso Deus, ao qual nos achegamos e com o qual, unidos a Jesus, mantemos profunda intimidade.
S. Agostinho observa que a oração não é um ato humano que traz Deus a nós, pois “ele é mais íntimo a nós que nós a nós mesmos”. O objetivo da oração é avizinhar-nos dele e, pelo diálogo, tomar consciência da sua presença amorosa em nossa vida. Então, no sussurro mais puro de nossa intimidade, brota de nossos lábios a prece: “Senhor tudo está em Ti, eu mesmo estou em Ti, acolhe-me!”
Reflexão Diária – 04/01/2012 – Mc 6, 30-34: Multiplicação dos pães (primeira)
Sábado – 04 de fevereiro
Mc 6, 30-34: Multiplicação dos pães (primeira)
Logo após ter recebido a notícia da morte de João Batista, Jesus se retira para um lugar solitário. Ele o faz “não por temer a morte, escreve s. Jerônimo, mas para impedir que os seus inimigos acrescentem um homicídio a outro ou para estender o momento de sua morte até à Páscoa”. Segundo s. João Crisóstomo, Jesus se retira “por não desejar que a sua identidade já fosse conhecida”. Mas a multidão não o abandona e o segue, onde quer que ele esteja. Talvez, movida por curiosidade ou por interesse. Porém, tal presença o comove e faz o evangelista dizer: Jesus vendo a multidão teve compaixão dela. E vendo-a faminta pergunta a Felipe: “Onde compraremos pão para que todos estes tenham o que comer?” Ele bem sabia, diz o Evangelho, o que havia de fazer. Àquela multidão de cinco mil pessoas, Ele vai manifestar a grande generosidade e a ternura do seu coração. Os Apóstolos e todos irão constatar que quando Deus dá, Ele o faz com abundância, além do que é necessário. De fato, “todos ficaram saciados, e ainda recolheram doze cestos cheios dos pedaços que sobraram”.
Exclama Eusébio de Emésia: “Num lugar ermo, Aquele que lá está, está pronto a saciar a fome do mundo”. Tomando os poucos pães e peixes, multiplica-os em benefício de todos. A distribuição é feita pelos Apóstolos. A Tradição cristã considera este fato como sendo um sinal da função deles e de seus sucessores: explicar as Sagradas Escrituras, alimento para todos os fiéis. Assim, a Palavra de Deus se multiplica, como o pão rompido, oferecendo a todos os povos um alimento superabundante, no dizer de S.Ambrósio e S. Agostinho.
Jesus toma o pão e rende graças, olhando para os céus, “para dar glória Àquele, escreve s. Hilário de Poitiers, de quem Ele procedia: não que lhe fosse necessário olhar o Pai com seus olhos de carne, mas para que a multidão compreendesse de quem provinha tal poder”. Já no Êxodo, Deus tinha alimentado o povo judeu no deserto, enviando o maná do céu, sombra do verdadeiro pão celestial que Jesus iria oferecer aos seus seguidores. Agora, o Senhor toma os pães, rende ação de graças, parte-os e dá aos Apóstolos para que eles os distribuam. “A abundância do poder divino, reservada a todos os povos e a todas as nações pelo ministério do alimento eterno, é confiada aos Doze Apóstolos” (S. Hilário de Poitiers). Anuncia-se, assim, a infinita generosidade do único pão da Ceia do Senhor, a Eucaristia.
Jesus é o verdadeiro pão do céu, o único capaz de satisfazer a maior e mais profunda fome que podemos experimentar. “Senhor Jesus Cristo, penetrai no mais profundo de nossos corações e saciai-nos com a flor do trigo e com o mel do rochedo da vossa Palavra e do vosso amor”.
Reflexão Diária – 03/01/2012 – Mc 6, 14-29: Morte de s. João Batista
Sexta-feira – 03 de fevereiro
Mc 6, 14-29: Morte de s. João Batista-
“Quem é Ele?” – “É João Batista que ressuscitou, exclama Herodes. É por isso que ele faz tantos milagres”. “Herodes pensava que João Batista, escreve Orígenes, tivesse ressuscitado depois de ter sido decapitado, e que agisse agora na pessoa de Jesus”. Após esta observação, o evangelista faz como que um retorno ao relato da morte de João Batista, traçando um prelúdio para a segunda parte do Evangelho. Neste sentido, S. João Batista é apresentado como precursor do Cristo por sua morte, como o foi por sua pregação. João testemunha a verdade, ao preço de sua própria vida, como também Jesus, no anúncio da Boa-Nova do Reino de Deus, diante de seus adversários e de Pilatos.
Quantos seguirão Jesus no martírio, fortalecidos em seus corações pelo amor a Deus e por sua verdade! “João Batista prefere antes afrontar o ódio do rei, do que omitir, para adulá-lo, os mandamentos de Deus”. Embora exortado por João a deixar o pecado, Herodes prefere livrar-se do homem que o confrontava com o seu pecado. “A virtude torna-se indesejável, observa s. Pedro Crisólogo, para aqueles que são imorais, a integridade é motivo de sofrimento para os corruptos, a misericórdia é intolerável aos cruéis”. De fato, escreve Orígenes, “João reprovava Herodes com a liberdade de um profeta. Levado à prisão por causa disto, não temia a morte, mas somente pensava no Cristo que ele tinha anunciado. E não podendo ir ao seu encontro, envia dois de seus discípulos para interrogá-lo: “És tu aquele que deve vir?” Os discípulos retornam, relatando ao seu mestre o que o Salvador tinha dito. Então João, armado para o combate, morre com segurança”.
O poder de Deus é amor, e o amor quer a liberdade do amado. Tudo depende da decisão pessoal de cada um. Deus se oferece e se revela, através de seus enviados. Mas ele jamais força. Ao apelo à conversão, Herodes permanece fechado. De fato, com sua morte, João Batista proclama que a fé ultrapassa os conceitos meramente humanos e se concretiza, antes de tudo, na comunhão com o Deus vivo. Em Deus o pecado é banido e a morte é vencida. A vitória é da vida, e da vida nova em Jesus. A jovialidade será, então, apanágio de todos nós, pois viveremos, com generosidade, todos os desafios do cotidiano, até a própria morte física.
João Batista manifesta coerência. Em tudo, ele experimenta uma unidade interior, que não o deixa se dispersar, pois a diversidade dos fatos o conduz, sempre de novo, ao cumprimento de sua missão, à sua identidade em Deus. Por isso, ele não mede sacrifícios e arrisca sua própria segurança. Seu apelo chega até nós, convocando-nos à coerência e à fidelidade ao Senhor. Imperativos que exigem uma consciência esclarecida e uma vontade vigorosa. O pecado e o mal serão, decididamente, rejeitados e estaremos escolhendo o bem “e procurando a santidade, sem a qual ninguém pode ver a Deus” (Hb 12,14).
Reflexão Diária – 02/02/2012 – Lc 2, 22-32: Apresentação do Senhor no Templo
Quinta – feira – 02 de fevereiro
Lc 2, 22-32: Apresentação do Senhor no Templo
As palavras iniciais, “concluídos os dias da sua purificação”, são uma proposição circunstancial, utilizada pelo Evangelista para mostrar a conformidade legal da Sagrada Família e, ao mesmo tempo, para anunciar Aquele que “veio para cumprir a Lei e os profetas”. Porém, não deixa de assinalar que tal cumprimento não se limita, simplesmente, à observância material da Lei. O autor aproveita a ocasião para já proclamar a realidade da futura vida pública de Jesus, na qual ele realizará a Lei em seu verdadeiro sentido, “segundo o Espírito”, o qual tinha inspirado, profeticamente, Moisés. É também significativa a frase seguinte: “Levaram-no a Jerusalém para apresentar ao Senhor”. De fato, o pequeno menino necessitava ser “levado” e Simeão vai “tomá-lo em seus braços”. Momento solene, no qual se entrevê a grandeza daquele que é apresentado. A criança é reconhecida como sumo sacerdote e como a futura vítima da Nova Aliança, da qual a “apresentação do Senhor no Templo” é o preâmbulo.
Face à grandeza do momento, exclama S. Sofrônio: “Corramos ao encontro do Senhor os que com fé celebramos e veneramos seu mistério, vamos todos com alma bem disposta. Ninguém deixe de participar deste encontro, ninguém deixe de levar sua luz. Levamos em nossas mãos círios acesos, para significar o resplendor divino daquele que vem a nós. Ele faz que tudo resplandeça e, expulsando as negras trevas, tudo é iluminado com a abundância da luz eterna”. A criança é o “Primogênito”, por excelência, de Deus e de sua mãe. Consagrado, Ele é oferecido a Deus e é Santo, porque nasceu da virgem por força do Espírito Santo, concedendo a todos os homens, de todos os tempos, a purificação perfeita. “A purificação, escreve Orígenes, não é só fruto de Jesus, mas também de Maria: ela está associada ao seu Filho fisicamente, pois ela “O traz” e “O leva” e Simeão vai lhe anunciar que ela comungará dos sofrimentos da Redenção. A purificação é de ambos, mesmo se Jesus seja o único Salvador, o Santo e o Redentor”. A apresentação no Templo evidencia o que estivera oculto.
Manifesta-se no Templo o verdadeiro “Santo dos Santos”, “o Ungido”, significado pelo título a ele conferido: Cristo e Messias. O alcance universal da “apresentação” se encontra nas palavras de Simeão ao afirmar que ele seria “causa de soerguimento para muitos homens”. Ou, ainda, “a luz para iluminar as nações, e para a glória de vosso povo de Israel”. S. Agostinho comenta: “O idoso Simeão se torna um destes pequenos a quem é prometido o Reino”. “O justo Simeão, continua s. Agostinho, o viu também com o coração, pois o conheceu recém-nascido; e o viu igualmente com os olhos porque o tomou entre os braços. Vendo-o de um e de outro modo, reconhecendo-o Filho de Deus e abraçando-o gerado da Virgem, deu seu último suspiro: “Agora, Senhor, deixai o vosso servo ir em paz, pois meus olhos viram a salvação”. Jesus é a salvação de todo o gênero humano. Confessa s. Basílio Magno: “O Filho de Deus é o nosso Deus; ele é também o Salvador da humanidade, aquele que sustenta a nossa fraqueza, que corrige a desordem presente em nossas almas, por causa das tentações”.
Reflexão Diária – 01/02/2012 – Mc 6, 1-6: Jesus em Nazaré
Quarta-feira – 01 de fevereiro
Mc 6, 1-6: Jesus em Nazaré
Jesus se encontra na sinagoga da sua cidade. Os habitantes de Nazaré estão atentos às suas palavras, pois muitos tinham ouvido falar a respeito dos seus ensinamentos e dos milagres realizados por ele. A curiosidade era grande. Pensavam e discutiam entre si quais seriam os sinais que ele faria em sua própria terra. Conforme o costume judaico um texto lhe é dado para ler. Era o do profeta Isaías 61, “escolhido para aquele dia, escreve Orígenes, pela providência de Deus. A passagem proclama o início da era messiânica da salvação em Jesus”. Fala do Messias como Deus e homem. “Era necessário, escreve s. Cirilo de Alexandria, que ele se manifestasse aos israelitas e que o mistério da encarnação resplandecesse para os que não o reconheciam”. Com as palavras dos profetas, ele se declara Deus, nascido homem, para salvar o mundo. Todos não deixavam de fixá-lo. Mas com que olhar o vêem? Ao se dirigir aos fiéis, Orígenes diz que não gostaria que seus ouvintes o olhassem com os olhos do corpo, como lá na sinagoga, mas com os olhos do coração. “Se assim o fizerdes, proclama ele, os vossos olhos resplandecerão na luz do seu olhar. Então podereis dizer: “A luz do seu rosto, Senhor, deixou o seu sinal em nós”.
A incredulidade está enraizada no coração de seus ouvintes, por isso, em tom mais severo, Jesus deseja tocá-los e levá-los à conversão. Nenhum profeta, diz Ele, é ouvido em sua própria terra, nem é reconhecido pelos seus parentes. Palavras chocantes. Os gentios, pelo contrário, demonstram mais fé em Deus do que os escolhidos de Israel. Elias, exemplifica Jesus, é enviado a uma viúva, em Sarepta, na região da Sidônia, enquanto tantas outras viviam em Israel. E continua a exortá-los. No tempo do profeta Eliseu, “havia muitos leprosos em Israel, todavia, nenhum deles foi curado, a não ser o sírio Naamã”. “Diante destas palavras, todos na sinagoga se enfureceram”. Na mentalidade da época, os judeus julgavam os gentios, isto é, os estrangeiros como pessoas distantes de Deus e, por conseguinte, excluídas da Aliança divina. Ao citar os gentios, agraciados por Deus, suas palavras soam ofensivas aos ouvidos dos fariseus. Mais ainda. Ele os declara cegos diante da misericórdia de Deus e de seu plano redentor para todas as nações. Com efeito, Ele acabara de ler “uma profecia, comenta Orígenes, sobre a salvação realizada pelo Messias. Salvação que irrompia no mundo através do ministério de Jesus. Era o ano da graça do Senhor”. “O ano de graça do Senhor se refere, fala s. Cirilo de Alexandria, aos seus milagres, com os quais Ele liberta a criação das amarras do mal e do pecado. É a crucifixão em que a libertação se torna realidade cósmica”.
A população de Nazaré rejeita Jesus, levando-o a não realizar milagres “para que não se pensasse, destaca s. Ambrósio, que sejamos constrangidos pelo amor à pátria. Na realidade, aquele que amava todos os homens não podia deixar de amar os seus concidadãos, mas eles mesmos, comportando-se de modo invejoso, renunciaram o amor à pátria”. Jesus, então, exclama s. Cirilo de Alexandria, “se reporta à Igreja dos pagãos, que o acolheriam e seriam curados de sua lepra”.
“Senhor Jesus, vós sois a plenitude de nossas esperanças e anseios. Que vosso Espírito Santo nos conceda a graça, a verdade, a vida e a liberdade. Que sintamos a alegria do Evangelho e o nosso coração se inflame com o amor e o zelo por Vós e por vossa palavra”.
Reflexão Diária – 31/01/2012 – Mc 5, 21-43: Cura da hemorroíssa e ressurreição da filha de Jairo
Terça-feira – 31 de janeiro
Mc 5, 21-43: Cura da hemorroíssa e ressurreição da filha de Jairo
Será que apresentamos ao Senhor, com fé e confiança, nossas dificuldades e angústias? Quem for, com confiança, ao Senhor jamais ficará desapontado. O Evangelho de hoje nos apresenta a cura da mulher, que sofria fluxo de sangue, e a ressurreição da filha de Jairo. Jesus transmite à mulher doente e ao pai angustiado consolo e conforto. Ele lê os corações e reconhece a fé que os anima e a esperança que os encoraja a se aproximarem dele. O que os move não são razões humanas, mas a confiança que nele depositam.
S. Agostinho nos diz que “a filha do chefe da Sinagoga significa o povo judeu, enquanto a hemorroíssa significa a Igreja provinda do paganismo”. S. Jerônimo confirma o mesmo significado ao lembrar que uma mulher, doente como ela, segundo a Lei, devia permanecer fora da cidade. “Ela se aproxima durante a viagem, enquanto o Senhor caminha, para ir acudir outra mulher. Por isso dizem os Apóstolos: Era primeiro a vós (judeus) que devíamos anunciar a palavra de Deus. Como a rejeitais e não vos julgais dignos da vida eterna, nós nos voltamos para os gentios (não judeus)(At 13, 46)”. Jesus veio, portanto, trazer a salvação a todas as pessoas, quaisquer que sejam suas nacionalidades.
Escreve s. Hilário: “O poder do Senhor, habitando em seu corpo, dava eficácia às menores coisas, e a ação divina se comunicava às franjas de sua veste. Pois Deus não é divisível nem limitado. Ora, a fé atinge a todos por toda a parte e o poder divino está igualmente em todos os lugares. O fato de assumir um corpo não cerceia seu poder. Pelo contrário, o poder divino assumiu a fragilidade do corpo humano para, justamente, manifestar nossa Redenção. E seu poder é tão infinito, tão liberal, que a obra de salvação dos homens estava presente até nas franjas do manto de Cristo”.
Diante de estes milagres, o que falar da comunhão eucarística, que penetra o mais profundo do nosso ser? Jesus, o Filho de Deus, entra em contato com a nossa natureza pecadora, purificando-nos, salvando-nos. A cura da mulher hemorroíssa se manifesta na filha de Jairo como ressurreição. É sempre o poder de Jesus, o Filho de Deus, agindo. Por Ele somos, não só curados, física e espiritualmente, mas ressurgimos como novas criaturas. Notemos que Ele pergunta aos Apóstolos: “Quem me tocou?” Não o faz por ignorância. Ele bem o sabe, tanto que irá revelar o que se passa no coração daquela mulher e o que sucederá à filha de Jairo. Nada escapa ao conhecimento de Jesus. Ele tudo sabe e tudo vê. E Ele é infinita misericórdia.
“Senhor, vós amais cada um de nós com amor único e pessoal. Tocai minha vida com vosso poder salvador, curai e restaurai o meu coração e todo o meu ser. Ajudai-me a doar-me, no amor, aos meus semelhantes”.
Reflexão Diária – 30/01/2012 – Mc 5, 1-20: O endemoninhado gadareno
Segunda-feira – 30 de janeiro
Mc 5, 1-20: O endemoninhado gadareno
Será que não nos sentimos, por vezes, guiados por poderes que superam nossas forças? A vontade tende sempre ao bem, tal como ele aparece, sobretudo, quando ele exprime algo da verdade. O mal, mesmo ele, adquire a aparência de um bem àquele que o comete e o escolhe. O Evangelho, porém, nos fala de uma realidade que advém à pessoa e a subjuga. A vontade seria, então, determinada por uma força extrínseca e suas ações seriam imprevisíveis e imputáveis. Jesus lê o que se passa no interior dos corações. Daí olhar, de modo compassivo, cheio de bondade, o “endemoninhado que veio ao seu encontro”, o que atesta ter ele, ainda, uma percepção do bem. De alguma forma, ele intui que será acolhido por Jesus e reconhece nele o poder capaz de libertá-lo. Manifestação livre de sua vontade, que brota da pressuposição de um fim, embora ainda inexistente, mas que o faz se decidir pelo bem e procure a verdade de sua vida em Deus.
À força dominadora do mal, Jesus contrapõe outra não destrutiva, mas capaz de conferir paz e serenidade interior. Tocado de compaixão por aquele homem, o divino Mestre lhe confere a sua graça, fazendo com que os demônios sejam enviados a uma manada de porcos. “Esta se lança no lago e se afoga. O que ele tinha suportado a manada de porcos não conseguiu” (S. Pedro Crisólogo). A cidade toda vem, então, ao seu encontro e pede que Jesus se retire, “não movida, escreve s. Jerônimo, por soberba ou ganância, mas por humildade, por não se achar digna de hospedar o Salvador”. Ou, no dizer de Teodoro de Mopsuéstia: “Eles o fazem por medo de terem de se submeter a algo maior por causa de seus pecados”. Talvez, eles não tenham compreendido que o fim último da vida e, portanto, da história coincide com o fim de toda ação humana: a felicidade e a liberdade do homem. O mal lhe tolheu de ele ser feliz e livre, mas o mesmo sucedeu com os habitantes da cidade, por não quererem a permanência do Senhor entre eles. De fato, a liberdade se exerce na escolha, quando o bem e o mal se apresentam.
Os demônios gritavam: “Vieste aqui para nos atormentar antes do tempo?” Referiam-se ao estabelecimento universal do Reino de Deus, de modo definitivo, por ocasião da Parusia ou após a sua Ressurreição. Poder-se-ia ainda pensar na vinda do Espírito Santo em Pentecostes ou na evangelização dos povos. O importante é que a simples presença de Cristo já, desde o presente, incomoda o demônio e o obriga a se desmascarar. Escreve s. Gregório Nazianzeno: “Jesus precipita ao mar uma legião deles e vê o chefe dos demônios cair como um relâmpago. Ele chora a morte de Lázaro, porque era homem, mas ressuscita Lázaro, porque era Deus”. Por isso, ao demônio, proclama s. Jerônimo, ele ordena: “Sai deste homem, abandona esta morada preparada para mim. O Senhor deseja sua casa: sai deste homem”. A cada um de nós, no dizer de s. Gregório Magno, o Senhor diz: “Vai à tua casa e anuncia o que o Senhor fez contigo”.
Reflexão Diária – 29/01/2012 – Mc 1, 21-28: Jesus em Cafarnaum e a cura de um endemoninhado
Domingo – 29 de janeiro
Mc 1, 21-28: Jesus em Cafarnaum e a cura de um endemoninhado
Jesus e os Apóstolos entram em Cafarnaum. “Caphar” significa campo, “naum” consolação ou formoso. Neste campo de consolação, as palavras de Jesus causam impacto. Muitos ficaram “extasiados com o seu ensino, porque lhes ensinava com autoridade e não como os escribas”. No dizer de s. Jerônimo: “Ele ensinava como Senhor, não se apoiando em outra autoridade superior, mas a partir de si mesmo”. Suas palavras permitem que eles escutem, cada vez melhor, a presença e a mensagem de Deus, que se manifesta na interioridade, a mais íntima, de cada um deles. Sentem-se, assim, convocados a uma transformação e neles cresce o silêncio como expressão de respeito à sua própria interioridade e à de todos os demais. Ecoam as palavras do Mestre: “Não julgueis para não serdes julgados”. Experiência do que seja caminhar na gratuidade livre e generosa da “graça de Deus”.
A autoridade de Jesus é concebida na linha do ser, a partir do que se é. Ao se dirigir aos ouvintes, ele fala com plena independência, pois ele é a plena revelação do mistério do Pai. Sua autoridade, em grego “ecsousía”, não se baseia nas opiniões dos rabinos, nem mesmo nas orientações de Moisés ou de algum dos profetas. Mas, como legislador divino, ele fala a partir dele mesmo. Todos se sentem surpreendidos, ao mesmo tempo, convocados a buscar um sentido maior de vida, sem se prenderem à ambição do querer. E, guiados pelo amor inefável de Deus, se descobrem úteis aos irmãos, caso se doem na generosidade de um coração despretensioso. Então, a pessoa de Jesus, grandeza de Deus, se manifesta e se torna presente na história de cada um. E, do coração ardente deles, emerge uma profissão de fé, que considera como correspondendo, uma a outra, a encarnação (sarkwsis) de Jesus e a nossa deificação (thewsis) ou santificação. Em Jesus, Deus veio a nós, tornou-se homem, e o homem se elevou à plenitude divina, tornando-se participante da divindade. Experiência religiosa e mística, que permite aos ouvintes de Jesus entrever nele uma autoridade, jamais pensada e, muito menos, vivida por eles.
A autoridade de Jesus vigora em seus ensinamentos, também em seus milagres e mesmo na expulsão de demônios. E unidos ao Mestre, os Apóstolos prolongam na história a sua autoridade. Jamais por força de um prestígio pessoal, mas como partícipes da missão do divino Mestre.
Reflexão Diária – 28/01/2012 – Mc 4, 35-41: Tempestade acalmada
Sábado – 28 de janeiro
Mc 4, 35-41: Tempestade acalmada
“Sobreveio então uma tempestade de vento, e as ondas se jogavam para dentro do barco, e o barco já estava se enchendo. Jesus estava na popa, dormindo sobre um travesseiro. Os discípulos o acordaram e lhe disseram: Mestre, não te importa que pereçamos? Levantando-se, ele conjurou severamente o vento e disse ao mar: Silêncio! Quieto! Logo o vento serenou”.
O texto fala de uma tríplice oposição: tempestade e grande calmaria; barco em perigo e o sono de Jesus; medo dos Apóstolos, marinheiros de profissão, e a intrepidez do Mestre, de pé, face ao vento e ao mar. Na Bíblia, apaziguar o mar é obra divina. Mas aqui, de modo especial, à diferença do salmista ou de Jonas, Jesus não invoca Deus, mas age por ele mesmo. Ele fala em nome próprio, suscitando a questão dos Apóstolos: “Quem é este?” Porque, para fazer tal obra, dando ordens ao tempo e ao mar, é necessário que ele seja Deus. S. Atanásio declara: “Aquele que ordenou ao mar não era uma criatura, mas sim o Criador”.
S.Jerônimo considera que “em Jonas encontramos uma figura deste milagre: quando todos estão em perigo, só ele está em segurança e dorme. Os demais membros da embarcação o acordam. O mesmo acontece com o Senhor Jesus, mostrando que Ele, por sua palavra e pelo sacramento de sua Paixão, liberta os que o despertam, que somos nós que a Ele recorremos”. Desde os primeiros séculos, faz-se a aplicação deste milagre à Igreja. Jesus atravessará as águas da morte e a Igreja, com toda confiança, irá também com Ele atravessá-las, como os discípulos naquele dia. O sono do Mestre significa, de modo exemplar, a confiança que o homem deve colocar em Deus. “Todos vós que navegais na barca da fé, comenta Orígenes, todos vós que passais através das ondas deste mundo na barca da Igreja santa com Cristo, embora ele durma em piedoso descanso, vigia vossa paciência e perseverança. Aproximai-vos dele com ardor, insistindo com orações”. Portanto, mesmo dormindo, Jesus convida os discípulos, através de seu silêncio, a crer na presença de quem tudo pode, embora por vezes pareça que ele não esteja atento às suas necessidades e perigos. “Se naufragas, observa s. Agostinho, é porque Cristo dormiu em ti. Esqueceste o Cristo. Desperta o Senhor e traze-o à memória. Despertar Jesus é pensar nele. Nasce a tentação, eis o vento; perturbação que te vem, eis as ondas. Desperta Cristo e Ele falará contigo e tu exclamarás: “Quem é este, a quem até o vento e o mar obedecem!”
O assombro toma conta dos Apóstolos. A presença do Senhor exige que eles purifiquem seus corações e suas mentes, e penetrem nas trevas do inacessível. De fato, o milagre assistido por eles os conduz à experiência da inefabilidade divina, que equivale, pois, a uma experiência, a um encontro com o Deus pessoal da revelação. Os Apóstolos se prostram, se entregam a Jesus, que se manifesta como Deus, e permanecem nos umbrais do mistério divino. Diante da face do Senhor, na superação de si mesmos, eles se abrem ao sentido da vida, ao crescimento ilimitado no amor, que elimina todo temor. Eles percorrem o caminho da deificação, do assemelhar-se sempre mais a Deus, que “todo inteiro penetra inteiramente os seus eleitos” |(S.Máximo o Confessor).
Reflexão Diária – 27/01/2012 – Lc 10, 1-9: Missão dos setenta e dois
Sexta-feira – 27 de janeiro
Mc 4, 26-34: Parábola da semente que germina por si só
Em todas as parábolas do Reino, Jesus destaca que a iniciativa é sempre de Deus. Muito embora os meios sugeridos sejam bem simples: fermento, semente, os resultados são extraordinários. O Reino, escreve S. Ambrósio, cresce em silêncio com os bons pensamentos humanos. S. Gregório Magno, igualmente, fala da semente semeada no coração “quando concebemos bons desejos”. Há, no entanto, um progredir. Diz ele: “No início, quando começamos a fazer o bem, somos ainda erva, mas quando progredimos no fazer o bem, crescemos e chegamos a ser espigas. Finalmente, já sólidos no fazer o bem, com perfeição, chegamos como espigas a ser grãos maduros”.
Contando tais parábolas, Jesus sugere aos seus discípulos a forma discreta e humilde de como se instalará o Reino de Deus. Porém, ele utiliza toda uma pedagogia para conduzi-los à verdade dos seus ensinamentos. Impulsiona-os a irem além do sentido imediato das palavras e a se deixarem envolver por algo mais fundamental, sua palavra de misericórdia e de amor. Instados a percorrer um caminho interior, eles a contemplarão em sua beleza e grandeza como força transformadora e renovadora de sua vida. O método empregado pelo Senhor é singelo. Exige-se, simplesmente, auscultar o seu coração para captar, no seu interior, a verdade presente em cada parábola. Em geral, ela começa com a descrição de um fato usual e se situa no cotidiano dos ouvintes, o que evoca diferentes sentidos. Em meio a eles, como numa espécie de murmúrio diversificado, vai emergindo um tom mais vigoroso, fundamental, alto, que se torna um traço comum dos diversos aspectos sugeridos. Ocorre, então, a superação do ponto de partida e do sentido imediato da parábola. Eles se sentem ao lado do abismo da divina Sabedoria e, dóceis e fiéis ao Senhor, tomados pela vertigem, se lançam no oceano infinito e abissal da verdade divina. A semente, pequena e frágil, torna-se madura e as ações dos discípulos terão eficácia, talvez não percebida de imediato, mas da semente brotarão belos e diversos frutos.
Mediante tais parábolas, Jesus revela a grandeza do amor de Deus, presente na fraqueza e na pequenez de nossa realidade humana. O objetivo é claro: preparar o coração e a mente dos discípulos. De fato, ao ouvi-las, eles se dispõem a acolher a ação divina, o que leva o Apóstolo s. Paulo a exclamar: “Porque quando me sinto fraco, então é que sou forte” (2Cor 12,10). S. Jerônimo fará uma aplicação destas parábolas às verdades da fé: “Penso que os ramos da árvore do Evangelho, que crescem do grão de mostarda são os dogmas diversos, sobre os quais descansam cada uma das aves do céu. Tenhamos também nós asas de pomba para que, voando para o mais alto, possamos habitar nos ramos desta árvore e fazer para nós ninhos dos ensinamentos, fugindo das coisas da terra e correndo para as do céu”.